O coração não parte, mas dói

#Pretty


‘Ter o coração partido’.

Não podia haver expressão mais incorreta do que esta. Porém, só o descobri recentemente quando a pessoa que tem o maior e mais bondoso coração do mundo me disse: “o coração é um músculo, não parte”.

É um facto. O coração é um músculo e os músculos não partem. Mas os músculos doem. E muito.

Há dores musculares e dores musculares. A dor cardiomuscular (acabei de inventar este termo) é a mais dolorosa e a que mais tempo demora a passar.

Não há pomadas milagrosas que acelerem o restabelecer do tecido muscular. O melhor remédio é o tempo e a paciência para esperar que o tempo chegue e leve com ele a dor, a mágoa, o sofrimento, a aflição, a desilusão.

Quando o musculo cardíaco está dolorido o tempo demora a passar e nós desesperamos porque queremos que passe e que leve consigo todos os sentimentos negativos que resultam da lesão cardiomuscular.

Mas é preciso ter paciência, porque uma pessoa quando está doente, vai ao hospital. Os médicos fazem exames, chegam a um diagnóstico e prescrevem os tratamentos necessários.

E isto leva tempo.

A cura para a dor cadiomuscular reside na resiliência, na paciência e na esperança. Mas também no carinho e no afeto dos que nos rodeiam; na força que nos transmitem; nos disparates que nos dizem só para nos tirar da escuridão.

A cura para um coração dolorido é o amor de quem nos ama.

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